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Por Pedro Laranja

O complexo: síndrome do jornalista é desenvolvido perante o maior inimigo de um escritor. Uma folha em branco é capaz de nos fazer questionar todos os âmbitos de nossa trajetória, inclusive a nossa capacidade de estar ali naquele momento.

Mas, diante dessa folha em branco em específico, eu nem esquento a cabeça, afinal qual jornalista do mundo merece sentar-se pra tentar descrever o que foram Messi e Cristiano Ronaldo, e ainda ter a ousadia de afirmar que a página mais bonita que o futebol já escreveu está no final?

O mais cruel do tempo é que ele é relativo, Einsten nos explicou que quanto mais o tempo passa, mais rápido ele fica. E assim coisas que antes pareciam ser perpétuas, agora são um presente que cada vez mais se confunde com o passado.

Pela primeira vez desde a temporada 04/05, Cristiano ou Messi não jogarão as quartas da Champions, estatística que apesar de provar que o fim está próximo, também mostra o nível de competividade maluca para qual ambos elevaram o jogo.

Não se engane, o futebol vive sem ambos, gênios de calibres parecidos já pararam, mas sempre abriram espaço para o novo. Bem vindo ao novo!

Essa despedida tem um quê de feliz, ela é feita periodicamente, o bonito do presente é que ele não vira passado do nada, e quando vira se torna perfeitamente nostálgico.

Assim as despedidas passam a ser menos doloridas, e momentos de eliminação [como os de ontem] viram referências aos imortais, abrindo o espaço perfeito para a história continuar sendo escrita, e eternizar os próximos nomes no panteão dos gigantes.

Não sei o que vai sair desse texto, mas a mensagem que fica é o orgulho. Orgulho por poder falar pros meus netos que eu vi dois dos três maiores que já pisaram em campo.

Nesse desfile longo e ininterrupto, eles foram reis de uma era mágica no jogo, mostram pro mundo que é possível se manter 10, 11, 12 anos em alto nível e protagonizaram a maior rivalidade que os esportes já viram.

Só agradeçam; o mundo te deu o privilégio de ver Messi e Cristiano Ronaldo. Reverenciem enquanto é tempo.


PEDRO LARANJA@JOGODVOLTA