VELHO E ACABADO: Por ter mais de 70 anos, Collor pode abater a pena pela metade. Mas vai ter que cumprir no mínimo 8 anos.

BRASÍLIA – AGENCIA CONGRESSO – A TV Gazeta de Alagoas ingressou com um pedido dentro do processo de recuperação judicial para exigir que a Globo renove o contrato de retransmissão que tem com a emissora. Uma manobra jurídica.

Alega a empresa do ex-presidente Collor que quer “evitar a falência” do conglomerado de comunicação que está mergulhado em dívidas. Collor pode ser preso a qualquer momento após ter sido condenado a 8 anos de prisão pelo STF.

O pedido da Gazeta foi feito no dia 8 de novembro, e a resposta da Globo foi anexada ao processo no dia 17. A Globo informou à TV Gazeta, no último dia 4 de outubro, que vai encerrar no fim do ano a parceria de 48 anos com o grupo alagoano.

A alegação é de que Collor foi condenado pelo STF (Supremo Tribunal Federal) porque usou a TV Gazeta em um esquema de corrupção. O grupo já está em recuperação judicial desde 2019.

Semelhança

O caso de Alagoas se assemelha ao da TV Tribuna do Espírito Santo, do grupo João Santos de Pernambuco. A direção do SBT nacional também decidiu não renovar a concessão com a TV capixaba, canal 7, mas foi surpreendida por liminar da justiça de PE.

O SBT tenta levar o caso para a Justiça de SP por considerar que a Justiça de PE não é o foro adequado. Mesma estratégia da Globo que considera a sede da matriz.

O problema da Rede Tribuna de Comunicação do ES foi a má gestão e pedido de empréstimo não quitado. E utilização de um mesmo imóvel para garantia de vários empréstimos.

”Depois o imóvel foi vendido deixando os bancos sem garantias, operações feitas pela direção financeira da Rede Tribuna no ES”, revelou um ex-diretor para a Agência Congresso.

No último ano do governo Paulo Hartung o grupo capixaba pegou um empréstimo no BANESTES e não pagou. Empurrou a divida até 2022 quando o Banco Central cobrou sua execução. De novo, manobras ‘financeiras empurraram o problema com a barriga’.

ASA BRANCA

Já em Alagoas o contrato com a Gazeta termina agora dia 31 de dezembro, e a partir de 1º de janeiro de 2024 a Globo terá (caso não haja decisão judicial contrária) uma nova empresa afiliada em Alagoas, no caso o grupo Asa Branca, que já é parceira da TV Globo para retransmissão em Caruaru (PE).

O pedido de renovação compulsória será analisado pelo juiz Léo Dennisson Bezerra de Almeida, da 10ª Vara Cível da Capital de Alagoas.

Gazeta foi covarde, diz Globo

Em resposta ao pedido da TV Gazeta na Justiça, a Globo chama a empresa de Collor de “covarde” por fazer um pedido dentro do processo de recuperação judicial, já que o grupo carioca não é credor e não tem relação com a ação.

‘Com toda a franqueza, é covarde a conduta da TV Gazeta. Por não ter se preparado para o término da relação contratual, da qual era indubitavelmente conhecedora há meses, vem agora utilizar argumentos de terror, de prejuízo a funcionários ou ao soerguimento da empresa, como se fosse a Globo (e não ela própria) a responsável pelas consequências do término da relação’.

Resposta da Globo à Justiça

Alega ainda que o foro estabelecido para dirimir questões seria do Rio de Janeiro, não de Alagoas.

Nas alegações à Justiça para não renovar o contrato, a Globo diz que manter a parceria geraria “gravíssimo dano reputacional” ao grupo, já que Collor e o diretor da OAM (Organização Arnon de Mello) foram condenados pelo STF por corrupção usando a emissora.

LEIA TAMBÉM

Impunidade de Collor perto do fim. Ex-presidente pode ser condenado a 33 anos