BRASÍLIA – AGENCIA CONGRESSO – “Esse cara me matou”. Essas foram as últimas palavras proferidas pelo ex-senador e ex-governador capixaba Gerson Camata (MDB) antes de cair após receber um tiro no ombro, no dia 26 de dezembro de 2018, em Vitória.

O crime que chocou o Espírito Santo está completando um ano. Ocorreu na Praia do Canto – onde residia o criminoso –  e vitimou um dos políticos mais populares do estado. Camata morreu com 77 anos. Seu velório no Palácio Anchieta mobilizou mais de cinco mil pessoas.

Camata foi o primeiro governador do ES após a redemocratização politica do país, eleito em 1982, ao fim do regime militar. Em sua posse mandou abrir as portas do Palácio Anchieta para a população. Em menos de quatro anos realizou diversas obras e abriu dezenas de estradas.

O assassino frequentava a casa da vítima e foi seu assessor por 19 anos. Marcos Venício Moreira é mineiro, continua preso e se voltou contra o antigo chefe após se sentir abandonado.

Ele queria que Camata o indicasse para cargos públicos, após o senador desistir de permanecer na vida pública e não disputar a reeleição. Venício acusou Camata de receber propina mas não tinha provas.

Motivação do crime

Uma disputa judicial teria motivado o assassinato do ex-governador do Estado Gerson Camata. O acusado Marcos Venicio Moreira Andrade, de 66 anos, era responsável pelas finanças e pelas campanhas políticas de Camata entre os anos de 1986 e 2005.

Andrade foi condenado pela Justiça por calúnia e difamação, após dar uma entrevista ao jornal “O Globo”, em 2009, acusando Camata de cometer supostas irregularidades durante o período de governo, como o envio de notas fiscais frias e ter cobrado mensalidade de empreiteiras para votar projetos que fossem de interesse das empresas.

Foi processado e condenado a pagar 60 mil reais por danos morais. A Justiça bloqueou as contas de Marcos Vinícius para o pagamento da indenização, o que lhe revoltou. Ao encontrar Camata, na rua, disparou apenas um tiro.

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