Por Sergio de Castro

Já aconteceu outras vezes, infelizmente. Situações inesperadas, muito ruins, difíceis, com potencial de grandes perdas se apresentam, envolvem países totalmente, angustiam toda a sua população, o governo que, perdido, não tem saída e se pergunta: por quê conosco?

Acho que está acontecendo isto com a Ucrânia nestes últimos meses. Um país com uma população pacífica, que tem grande receita de exportação com a produção de trigo e girassóis, está hoje sendo invadido brutalmente pelo poderoso exército russo, comandado pelo ditador Vladimir Putin.

No desmanche da URSS – União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, em 1991, a Ucrânia abriu mão de ter armas atômicas. Na solução do que fazer quando do acidente na usina nuclear de Chernobyl, preferiu desativar a usina acidentada, isolá-la.

Visitei a Ucrânia em 2010, conheci Kiev, uma cidade bonita e hospitaleira e quis visitar a usina. Fui desestimulado e não fui. Me informaram que era uma paisagem de desolação e que mesmo com todos os cuidados tomados, havia risco de contaminação com partículas radioativas.

É um dos maiores países da Europa, invejado porque tem uma área considerável de terras férteis e mineráveis. Importante produtor de alimentos e minerais. 44 milhões de ucranianos perigosamente localizados, perto demais da Rússia, separando-a do restante da Europa.

Você viu na web, tv, ouviu em alguma radio, leu em algum jornal que um míssil ucraniano destruiu um prédio de apartamentos em Moscou ou em qualquer outra cidade russa, algum alvo militar?

Não viu, não ouviu, não leu. Os ucranianos estão gastando todas as suas energias em se protegerem, em proteger o seu país. Não têm força de ataque! Não têm esta opção de se defenderem atacando. Não tem como não ter muita compaixão por eles.

Mais de 2 milhões de ucranianos já se refugiaram, saíram do seu país, desesperadamente, de qualquer maneira, em busca de segurança, de um futuro que não conseguem alcançar na Ucrânia hoje.

Bombardeios que não cessam, chegada dos tanques russos em várias cidades, sem uma reação que mereça este nome, nos dão uma grande pena da Ucrânia, escolhida para ser subjugada à força por um ditador insensível e mau, Putin.

A cada noticiário que vejo e ouço fico torcendo para que um acordo tenha sido obtido, que cesse imediatamente a covardia, a destruição da Ucrânia.

As imagens das cidades bombardeadas me dão grande tristeza, normalmente não fico vendo por muito tempo, desligo a televisão e vou dormir sonhando com um cessar-fogo durante o meu sono em fuso horário atrasado com relação ao país atacado, humilhado e sofrido.

Os dias passam, o número de ucranianos e russos mortos aumenta cada vez mais, a visão da morte e da destruição desnecessárias nos deprime, abate. Até quando este grande erro vai durar? Queria acordar e ler no meu smartphone “Acabou a guerra na Ucrânia!”.


Sérgio Rogério de Castro é empresário capixaba, ex-senador e ex-presidente da Findes. Escreve regularmente para o site AGENCIA CONGRESSO.