SÃO PAULO – Com um cenário ainda preocupante da pandemia de coronavírus no Brasil, com o avanço no número de casos da doença, os setores mais vulneráveis no mercado de fundos imobiliários acabam sendo aqueles voltados aos shoppings e às lajes corporativas, devido às medidas de isolamento social que postergam uma retomada das atividades presenciais.

Diante de um horizonte ainda permeado de incertezas, os analistas do mercado têm optado por incluir nomes de caráter mais defensivo nas carteiras mensais que sugerem aos investidores.

Levantamento feito pelo InfoMoney com nove corretoras mostra a entrada, na seleção recomendada de fundos imobiliários para abril, do FII de recebíveis Capitânia Securities II (CPTS11), e do fundo híbrido TRX Real Estate (TRXF11) que tem imóveis logísticos no portfólio e pega carona na alta demanda por galpões em meio ao avanço do e-commerce.

Frente a uma vacinação que avança em ritmo lento no país e retarda a retomada da economia, os fundos de logística do BTG Pactual e da Vinci Partners, com seis recomendações cada, seguiram como a maior preferência do mercado para as próximas semanas no setor.

Deixaram de fazer parte do grupo, por outro lado, o fundo de fundos imobiliários RBR Alpha e o FII de lajes corporativas BC Fund.

Lucas Hoon, analista de fundos imobiliários da XP, diz gostar de FIIs de recebíveis dado seu perfil mais conservador, com papéis de renda fixa no portfólio, diante da baixa visibilidade da economia em meio à pandemia.

A carteira recomendada de fundos imobiliários da XP tem uma exposição de 45% a fundos de papel, a maior entre os principais setores da categoria.

No universo dos fundos de recebíveis, a preferência, diz Hoon, é por aqueles mais voltados aos papéis do tipo “high grade” (títulos com alta qualidade de crédito e, portanto, menor risco), que tenham devedores sólidos e boa diversificação setorial, por conta do cenário doméstico ainda desafiador, com possível aumento da inadimplência.

Para abril, os investidores devem ficar atentos ao avanço da pandemia no Brasil, ao calendário de vacinação no país e às medidas de isolamento social, que podem manter os shoppings fechados, bem como atrasar a retomada das empresas aos escritórios, afirma Hoon.

Atualmente, shoppings e lajes corporativas respondem por cerca de 10%, cada, na composição do Ifix.