SERGIO ROGERIO DE CASTRO

São milhares no Brasil e, a cada dia mais importantes, as associações comunitárias de moradores. Se tivermos uma média de 5 em cada município, pouco na nossa avaliação, serão mais de 25.000 no Brasil.

Nascem para estabelecer relacionamento e diálogo entre os moradores, empreendedores e proprietários de uma determinada região, normalmente urbana, que pode conter um ou mais bairros (mais comum) ou parte de um bairro.

Acabam tendo por função principal a promoção da necessária interlocução com o poder executivo municipal e também com o poder legislativo das cidades. São mais importantes a cada dia porque os prefeitos, os secretários municipais e os vereadores têm convidado essas organizações para participar do processo de construção e avaliação de importantes políticas públicas.

Representantes das associações comunitárias de moradores estão presentes em vários conselhos municipais e em inúmeras comissões/grupos de trabalho das prefeituras e câmaras municipais, contribuindo, com conhecimento de causa, para a geração de bem-estar para a sociedade.

Políticos inteligentes valem-se das associações para conhecerem melhor os assuntos dos projetos de lei que passam pelas suas mesas de trabalho, para formar juízo de como devem votar.

São inúmeros os assuntos que podem ser esclarecidos pelo diálogo com as associações de moradores: mobilidade e transporte urbano, limpeza, manutenção e sinalização das vias públicas, orientação para cuidados com os parques e jardins.

E mais; informação sobre suspeita de comércio e uso de drogas, tratamento do lixo gerado, implantação e manutenção de áreas e equipamentos de lazer, regulação e fiscalização de comércio ilegal, enfim, muitas pautas importantes e que interessam aos dois polos da relação: moradores e autoridades.

Estas associações também podem ter um forte protagonismo no desenvolvimento econômico dos bairros, apoiando quem queira vir se estabelecer na região, divulgando os negócios ali existentes, estimulando os moradores a comprarem o que é produzido ou comercializado no bairro.

O que não pode acontecer é a associação se submeter aos desígnios de maus políticos. Infelizmente, esse tipo de controle das associações por políticos é muito comum.

Há muitos anos, era aceitável esta mistura de associação de bairros e políticos, as associações eram muito incipientes, as suas funções estavam se definindo.

Hoje é inadmissível. Vigie a associação de moradores da qual você faz parte para impedir que isso aconteça. É um desastre para qualquer organização do gênero.

E infelizmente é o que mais tem acontecido Brasil afora, especialmente nos municípios menores, nos bairros mais pobres. A associação controlada corre o sério risco de acabar.

Frequentemente, um primeiro movimento de reação é o da criação de uma segunda associação pelos dissidentes. Dividir para enfraquecer é uma estratégia, uma prática muito conhecida.

Mas cuidado nesses momentos, fica bem claro que a associação está perdendo forças, correndo o risco de desaparecer. Melhor lutar dentro da associação poluída pela política partidária.

A associação de moradores é um local ótimo para revelar vocações políticas, o que deve ser encarado como algo positivo. O que não deve ocorrer é a utilização destas associações como trampolim político por candidatos.

Decidindo concorrer a um cargo público, o dirigente tem que solicitar licença, para que então possa dar início à sua campanha. Isso é fundamental para a manutenção da credibilidade de qualquer associação.

A Escola de Associativismo (EA), uma instituição sem fins lucrativos, sediada em Vitória/ES, com atuação em vários Estados brasileiros, tem produzido conteúdo para ensinar as melhores práticas às associações de moradores.

Práticas para fortalecer estas organizações. Elas são muito importantes, podem ajudar efetivamente que moremos todos em cidades melhores.

Uma diretoria de associação tem que fazer política, sim! Tem de interagir com os políticos, dar créditos a eles, elogiá-los quando ajudarem o(s) bairro(s), mas não pode fazer política partidária dentro da associação. O seu partido político não pode ser nenhum outro, tem que ser a associação.


Sérgio Rogério de Castro é empresário capixaba, ex-senador e ex-presidente da Findes. Escreve regularmente para o site AGENCIA CONGRESSO.

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