Governo Bolsonaro: Sem espaço para os espertos

BRASÍLIA -AGENCIA CONGRESSO – Alguns legítimos representantes da “velha política” que apoiaram ‘interessadamente’ a candidatura do então deputado federal Jair Bolsonaro em 2018- queriam cargos no governo mas se deram mal.

Ficaram a ver navios. São políticos que estão sempre com o “presidente da hora”, como o ex-senador Magno Malta, baiano radicado no ES, que esteve desde FHC até Temer, sempre grudado nas tetas da União.

Desta vez, no entanto, a população foi mais sábia. Perderam a eleição e ainda ficaram desempregados. Acharam que teriam cargos de destaque no governo, mas sequer integram o segundo escalão.

É o caso também do ex-deputado Carlos Manato. Usou e abusou na campanha da imagem de Bolsonaro e conseguiu eleger a mulher deputada, enquanto ele tentava, sem sucesso, se eleger governador.

E pretende repetir a receita nesta eleição. Já está usando de novo a imagem do presidente, mesmo sem autorização de Bolsonaro, que o demitiu do governo, ano passado. Ele ocupava um cargo na Casa Civil mas não trabalhava. Foi demitido pelo ministro Onix Lorenzoni.

Manato cumpriu quatro mandatos de federal na Câmara mas nunca se destacou no Legislativo com projetos relevantes. Virou político graças ao prefeito da Serra, Sérgio Vidigal, que o filiou ao PDT e o elegeu utilizando a máquina municipal. Do PDT esquerdista de Brizola, ele virou direita da noite pro dia.

Outro descartado pelo governo foi o ex-deputado Alberto Fraga do DEM. Era amigo de Bolsonaro. Hoje critica o capitão do Planalto. Chegou a ser cotado para ministro mas a pasta não saiu do papel.

A demora em definir sobre a criação de um ministério específico para cuidar da Segurança Pública, intenção expressada pelo próprio presidente, tem sido motivo de irritação de Fraga.

Alguns defensores da nova pasta, que seria desmembrada do Ministério da Justiça, avaliam, nos bastidores, que o presidente não demostra a mesma disposição que teve, ao recriar o Ministério das Comunicações, em agradar o Centrão, dando o cargo de ministro ao deputado Fábio Faria.

Aliados também apontam que Fraga era o cotado para a pasta. Mas recebeu o mesmo tratamento de Magno Malta (PR-ES). Dançaram.

Malta foi um dos mais fieis e espertos bolsonaristas na campanha e contava que seria ministro de Direitos Humanos. Para a pasta, Bolsonaro escalou Damares Alves.

Manato foi indicado para um cargo de terceiro escalão na Casa Civil mas não durou seis meses. O então ministro Onyx Lorenzoni deu lhe um pé na bunda sem direito a reclamação.

FRAGA ACREDITOU QUE SERIA MINISTRO, COMO MAGNO

Fraga se ressente de a pasta não ter sido criada na formação do governo, ainda no período da transição. Para ele, a fusão com a pasta da Justiça foi uma “lambança” do atual ministro da Cidadania, Onyx Lorenzoni (DEM-RS), que foi ministro-chefe da Casa Civil e coordenador da equipe de transição.

(Com informações do Metrópoles)