BRASÍLIA -AGENCIA CONGRESSO  – Novo líder do PSB no Senado Federal, o polêmico jornalista esportivo eleito senador por Goias, Jorge Kajuru, pretende colocar toda sua ‘energia’ para acabar com a reeleição no país.

Para presidente da República, governadores e prefeitos ele defende mandato único. Já para cargos nos poderes legislativo, deputados, senadores e vereadores, apenas uma reeleição.

Para isso está finalizando o texto de uma PEC, Proposta de Emenda à Constituição. Cego de um olho e diabético, Jorge Reis da Costa Nasser cumpre seu segundo mandato na política.

Foi vereador por meio mandato em Goiânia. Se elegeu para a Câmara em 2016. Seu mandato terminaria em 2020. Disputou o Senado e ficou com a  segunda vaga ao somar 1.557.415 votos. Na campanha ele aparecia na terceira posição.

Para ele, a reeleição favorece a corrupção. Diz que sua estratégia será primeiro reunir forças para acabar com a reeleição nos Executivos. “É preciso primeiro estancar a sangria no executivo porque no Legislativo será mais difícil”.

O instituto da reeleição foi criado em 1997 para que o então presidente Fernando Henrique Cardoso pudesse concorrer a um segundo mandato. Concorreu e ganhou.

Na proposta que vai apresentar, Kajuru pensa em oferecer mais um ano para os atuais mandatários. Assim, Jair Bolsonaro e os governadores eleitos em 2018 exerceriam seus mandatos até 31 de dezembro de 2023. E os atuais prefeitos até o final de 2021.

“Essa é a minha primeira bandeira. Não abro mão dela. Até porque a gente conhece um homem pela palavra. E o presidente Bolsonaro fez uma campanha inteira [dizendo] que ia acabar com a reeleição [e] depois que foi eleito nunca mais tocou neste assunto”, disse.

Questionado se cobraria o presidente Jair Bolsonaro (PSL) da promessa em acabar com a reeleição, Kajuru disse não, mas que vai articular o fim do mecanismo que permite aos gestores públicos concorrem a mais quatro anos sem a necessidade de se afastar.

“Não vou cobrar [do presidente]. Vou reunir 27 assinaturas necessárias e apresentar o projeto”.

O senador admite que a sua iniciativa sofrerá resistências. “A questão é: o Bolsonaro já está se armando aqui para eu não ter assinaturas. Eu vou entrar numa disputa política aí.

Mas eu vou pro pau. Eu acho que [a reeleição] é o maior câncer do país. E eu estou dando mais um ano de mandato. No meu projeto é quatro [anos e] mais um [ano], correto? Sem direito a reeleição. [Isso vale] para presidente, governadores e prefeitos”, disse.

Limitação no Legislativo

A partir da matéria que vedaria a reeleição no Executivo encaminhada, ele daria início a uma articulação para limitar a uma reeleição os cargos no Senado, na Câmara Federal, nas Assembleias Legislativas e Câmaras Municipais.

Kajuru também é contra oito anos de mandato para um senador. Destacou, no entanto, que a proposta para diminuir o mandato dos senadores de oito para quatro é “jogar para a galera” e “impossível” de ser aprovada.

Camata jogou para platéia

Se ele confiasse que esta iniciativa teria alguma chance, ele a apresentaria. Proposta neste sentido já tramita no Congresso, apresentada pelo ex-senador Gerson Camata (MDB)

“Não é diminuir. É oferecer apenas uma reeleição e nunca mais. Deputado 8 anos está bom”, explicou. Sobre a proposta de Camata, já falecido, que pretendia diminuir o tempo de mandato dos senadores, Kajuru disse que isso não tem como mexer.

“Não tem jeito! Eu lembro [da proposta do Camata]. Mas não consegue. Não vamos ser hipócritas. Isso aí é impossível! Se pudesse, amigo, é evidente que eu diminuiria. Mas não consegue. Eu vou apresentar algo em que vou perder?”, perguntou.

“Eu tenho que apresentar algo que vou ganhar. Isso aí é jogar para a plateia e jogar para a plateia eu não jogo. O Camata morreu. Ele não está aí para responder para mim, eu não gosto de falar de mortos porque não estão aqui para responder.

O Gerson Camata jogou para a galera. Estava careca de saber que nunca conseguiria isso. Acha que os senadores vão aceitar um negócio desses? Eu perco por 80 a um aqui. Eu não sou Brasil, não, para perder para a Alemanha de 7 a 1. Me ajude aí!”, argumentou.

Casagrande é referência

Sobre se conhecia o estado do Espírito Santo, o senador goiano afirmou que conhece muito bem o estado e tem no governador Renato Casagrande (PSB) uma referência.

“Claro que conheço. Fui jornalista esportivo por 40 anos. Conheço o Brasil e o mundo inteiro. [E a minha impressão] é a melhor possível. [Lá] tem intelectuais que eu respeito. Em todos os segmentos tem gente que eu respeito. Na classe política tem gente que eu respeito. O Renato Casagrande é um exemplo. Sou admirador dele. Tem muita gente que eu gosto. Gente preparada, séria e decente”, comentou.

Projeto para diabéticos

“E do ponto de vista cultural a riqueza capixaba é inquestionável. Comida eu não posso mais, sou diabético. Mas eu amaria [apreciar a tradicional moqueca capixaba]. Eu fiquei sabendo, porque eu sou diabético, que lá em Vitória foi aprovado um Projeto de Lei em que [quem é] diabético paga só 50% [do seu consumo]. Eu achei isso lindo. Me contaram. Se for verdade, é um exemplo. Porque o diabético come meio prato, é que nem um passarinho. Porque depois da cirurgia você vira um pato, né? O que entra, vai!”, finalizou.