Pandemia exigiu lançamento da nota de 200. Muita gente guardando dinheiro em casa.

BRASÍLIA – Os brasileiros ampliaram o volume de dinheiro em espécie que é guardado em casa diante das incertezas causadas pela crise do novo coronavírus. São mais de 277 bi, estocados em residências, segundo o Banco Central (BC).

Dados apresentados quarta-feira (29/07) pelo BC mostram que o volume de papel moeda que é mantido em poder do público saltou de R$ 216 bilhões para R$ 240 bilhões logo no início da pandemia, entre março e abril.

E essa reserva de emergência continuou subindo com o passar do tempo, chegando a R$ 259 milhões em maio, a R$ 273 bilhões em junho e ao recorde de R$ 277 bilhões em julho.

“Não é um fenômeno típico no país. Mas, em momentos de incerteza, as pessoas tendem a fazer saques e acumular uma reserva, porque o dinheiro, em um tempo de incerteza, é um sinal de segurança e estabilidade”, comentou a diretora de administração do BC, Carolina de Assis Barros.

Ela também apontou, contudo, outro motivo para o aumento do entesouramento: os pagamentos do auxílio emergencial de R$ 600. “O BC acredita que os beneficiários do auxílio emergencial que receberam o benefício em espécie também não retornaram esse dinheiro ao sistema bancário com a velocidade que a gente esperava”, disse a diretora.

Por conta disso, o meio circulante brasileiro – isto é, a quantidade de dinheiro que está em circulação no país – também bateu recorde durante a pandemia do novo coronavírus.

Segundo o BC, havia cerca de R$ 281 bilhões em circulação no país no fim de 2019 e a expectativa era que o meio circulante crescesse a R$ 301 bilhões neste ano. Porém, com o aumento do entesouramento, o meio circulante já chegou a R$ 342 bilhões na pandemia. Esse fenômeno ampliou, portanto, o volume e o custo da emissão de moeda no Brasil.

Por isso, o Banco Central pediu ao Conselho Monetário Nacional (CMN) R$ 113 milhões para ampliar a produção das cédulas de R$ 100 e também para lançar a nova cédula de R$ 200 no próximo mês – cédula que, segundo o BC, vem justamente para fazer frente a essa demanda maior da população por dinheiro em espécie.

“O BC observou os efeitos de entesouramento trazidos pela pandemia e não sabe por quanto tempo isso vai perdurar. […] Por isso, entende que é um momento oportuno para a nova cédula. É o BC agindo preventivamente diante do aumento da demanda por numerário”, afirmou Carolina.

Ela frisou ainda que o aumento do meio circulante não é uma exclusividade brasileira na pandemia. Segundo ela, esse fenômeno também foi observado em países como os Estados Unidos, o Japão, a Itália, o Reino Unido e a China – todos duramente afetados pela pandemia.

(Com informações do Correio Braziliense)