BRASÍLIA – AGÊNCIA CONGRESSO – O Procurador Geral da República, Rodrigo Janot, promete entregar ao Supremo Tribunal Federal (STF) na próxima semana uma denúncia que poderá transformar o presidente Michel Temer em réu.

Se de fato existirem provas novas, será o fim da era Temer. A terceira semana de junho promete abalar, de novo, a República.

Também no STF será decidido o futuro de Aécio Neves, pela mesma turma de ministros que decidiu manter sua irmã presa, Andrea Neves.

Para tentar entender os cenários que poderão surgir, a Agência Congresso ouviu alguns parlamentares sobre a avaliação que fazem do Brasil pós-denúncia da PGR.
Dos dez deputados do ES, apenas seis aceitaram comentar. E não há consenso entre eles sobre o que acontecerá.Todos dependem dos fatos a serem revelados pela PGR.
Com isso, a crise política e institucional que já é grave tende a aumentar ainda mais. No Senado a reforma Trabalhista terá seu teste final.
Aumenta também a tensão entre a classe política e os integrantes da Justiça e do Ministério Público.
Após a denúncia apresentada pela PGR, o STF terá que pedir autorização à Câmara para investigar Temer e com isso torná-lo réu.
Para isso acontecer são necessários que 342 deputados aprovem em plenário a autorização para a Suprema Corte possa investigá-lo.
Apuração
Questionado como se posicionará quanto ao pedido de autorização que poderá tornar Temer réu e afastá-lo do cargo, o deputado Jorge Silva (PHS) afirmou que o voto dele “irá depender do conteúdo das denúncias”.
Já Norma Ayub (DEM) disse que irá se pronunciar somente “após tomar conhecimento do assunto”.
Manato (SD) diz que aguardará a “posição partidária” para se manifestar.
Sérgio Vidigal (PDT) afirma que votará a “favor de todo e qualquer processo que tramite nesta Casa para julgar o presidente”.
No entanto, o pedetista não acredita que “nenhuma proposta dessa natureza seja levada adiante, uma vez que o governo já demonstrou força política”.
Os petistas Givaldo Vieira e Hélder Salomão também são favoráveis a autorização para investigar Temer.
Os deputados Evair de Melo (PV), Lelo Coimbra (PMDB) – líder da maioria que apoia Temer, Marcos Vicente (PP) e Paulo Foletto (PSB) preferem esperar a PGR.
Futuro
Na legislatura passada os espaços de poder ocupados pelos capixabas eram maiores, como a Liderança do governo no Congresso, com a senadora Rose de Freitas, a Corregedoria, com o deputado Manato, e a liderança do PSB na Câmara, com Paulo Foletto.

Questionados sobre uma provável vitória de Temer na Câmara que enterraria o pedido de autorização do STF para julgá-lo, apenas três dos dez deputados capixabas falaram sobre o assunto.

 Jorge Silva acredita que uma recusa dos deputados em investigar Temer “terá uma grande pressão dos partidos de oposição e da população”.
Para ele, as pesquisas que mostram “Temer com uma rejeição enorme” pode acarretar numa onda de protestos pelo País afora.
Norma Ayub afirmou que o melhor é “aguardar a apresentação da denúncia e a partir daí analisar o que deve ser feito de acordo com a Constituição”.
Sérgio Vidigal crava que “sem essa autorização ficará tudo como antes, sem grandes alterações”.