Deputado nega que tenha recebido propina, mas não denunciou esquema de corrupção quando soube da extorsão em sua pasta. Ele foi secretário de Transportes do governo Arruda, um dos mais corruptos do DF

BRASÍLIA – AGÊNCIA CONGRESSO – Gravação  exibida pela TV Globo-DF mostra o deputado federal Alberto Fraga (DEM-DF) discutindo propina, à época em que ele era secretário de Transportes, do governo passado.

Os áudios mostram uma conversa do político com representantes de cooperativas de micro-ônibus e foram gravados em 2009, quando Fraga era secretário do governo de José Roberto Arruda (PR).

No diálogo, Fraga questiona interlocutores sobre o valor dos repasses. Segundo o Ministério Público, essas cifras se referem a propina paga por cooperativas, no processo de substituição das vans por micro-ônibus.

A defesa de Fraga nega as acusações. Em um dos áudios, segundo o MP, Alberto Fraga questiona porque estaria recebendo valores menores que seu assessor à época, o subsecretário Júlio Urnau.

O interlocutor é identificado pelo Ministério Público como Jefferson Magrão, representante do político junto às cooperativas.

Fraga é deputado da Bancada da Bala e aliado de Bolsonaro

DIÁLOGOS

Alberto Fraga: Agora tá explicado, as coisas acontecendo e eu com cara de babaca aqui, entendeu? E o cara, você veja, o cara ganhou com isso aí, o que é que acontece? Ele, ele ganhou muito mais dinheiro, vamos dizer assim, do que o próprio secretário.

Jefferson Magrão: Deitou e rolou.

Fraga: Deitou e rolou. É por isso que o Arruda, constantemente, me dá uma ‘espetada’.

A denúncia

A operação Régin foi deflagrada pelo Ministério Público e pela Polícia Civil do DF em 2011. Citados no inquérito, Fraga, Urnau e o ex-assessor José Geraldo de Oliveira Melo são acusados por organização criminosa e concussão – quando um agente público exige vantagem própria para realizar uma contratação.

Segundo o inquérito, o grupo chegou a receber mais de R$ 800 mil de uma única cooperativa, a Coopatag. Na época, a entidade conseguiu uma decisão judicial para retornar à licitação, depois de ser considerada “inabilitada” para o contrato. Mesmo com a sentença em mãos, a Coopatag teve de pagar propina para voltar a concorrer, diz o MP.

O valor de R$ 800 mil – supostamente reajustado para cima pelo próprio Fraga – teria sido pago em três parcelas, entregues no Aeroporto JK, no Jardim Zoológico e no Núcleo Bandeirante.

De acordo com as investigações, a Coopatag só voltou para a disputa da licitação quando a primeira parte do valor já tinha sido paga.

A denúncia contra Fraga foi apresentada ao Tribunal de Justiça do DF em 2011. Em 2014, quando ele foi eleito deputado federal e ganhou foro privilegiado, o processo “subiu” para o Supremo Tribunal Federal.

A ação penal está nas mãos do ministro Alexandre de Moraes, mas ainda não foi julgada.

Com informações da TV Globo Brasília