Duas reformas tramitam no Congresso Nacional neste momento: a Tributária e a Administrativa. Na verdade, duas intenções de reformas, pois a primeira não inclui os tributos estaduais e municipais e a segunda só vai apresentar os resultados que precisamos, urgentemente, daqui a alguns muitos anos.

Ambas muito tímidas, absolutamente não atendem às urgências do nosso país.

Estamos no sétimo ano de orçamento deficitário da União, pois o que o governo federal gastou e gastará neste ano é maior do que arrecadou, como nos outros últimos seis anos.

Em 2020, o déficit será muito maior, porque vivemos uma emergência sanitária, a pandemia do covid19, que exigiu justificados ENORMES gastos para salvar vidas ameaçadas por este vírus altamente contagiante, pouco conhecido, por isto mais difícil de ser tratado eficazmente.

Os projetos de vacinas em andamento prometem resultados somente no início de 2021. Doze meses após a ocorrência dos primeiros casos, mais de 1 milhão de mortes, cerca 38 milhões de infectados identificados até aqui, o maior estrago na economia mundial desde o final da Segunda Guerra Mundial há 75 anos.

Qualquer empresa, família, estaria em grandes dificuldades, se em situação semelhante. E um país, não fica em dificuldades ? Fica sim, a conta chega para nós, nossos filhos, netos e até bisnetos, a pobreza e a fome aumentam, o número de desempregados e desalentados também.

O país precisa tomar mais empréstimos e pagar mais juros por isto. O seu futuro passa a ser uma incerteza. No limite, não consegue mais ninguém para emprestar para o governo e no meio do caminho os juros sobem pois o risco do não recebimento da dívida pública aumenta.

Os juros subindo, os investimentos diminuem, menos empregos são gerados, a receita de tributos não aumenta mas o buraco da dívida sim.

Há uma previsão de que no final do ano estaremos devendo um ano inteiro de tudo o que produzimos.

Muito preocupante, tem muitas consequências ruins. A grande incerteza com o desequilíbrio das contas públicas pode continuar gerando desvalorização cambial e inflação, além do inevitável aumento dos juros, redução dos investimentos e das receitas de impostos, uma tempestade perfeita.

Se o governo não tem disposição e nem força política para reduzir despesas imediatamente por meio da aprovação no Congresso de uma efetiva reforma administrativa ou outras ações que tenham eficácia na redução dos seus gastos, não consegue aprovar uma redução de custos administrativos das empresas com uma verdadeira e simplificadora reforma tributária que permita cobrar por esta redução, se tem juízo para não romper o teto dos limites de gastos, se o país não cresce, só há uma alternativa:

Aumentar os impostos, tirar das famílias mais recursos para sustentar a pesada máquina pública, para pagar juros da sua excessiva dívida. Preparem-se, apertem o cinto, aumento de impostos, da nossa já elevada carga tributária terá que acontecer. Infelizmente !

Sérgio Rogério de Castro é empresário, ex-senador, engenheiro e conselheiro da Escola de Associativismo