Foto DIDA SAMPAIO/ESTADÃO

BRASÍLIA – AGENCIA CONGRESSO – Mesmo que tentasse, o presidente da Câmara, deputado Rodrigo Maia (RJ) na conseguiria votos suficientes para derrubar o presidente Temer no plenário da Câmara.

Ele (Maia) tinha mais apoio na primeira denúncia da PGR contra o presidente. De lá pra cá, o presidente usou a ‘caneta presidencialista’ e fez muitos favores se fortalecendo junto ao Parlamento. Fez a alegria de muitos distribuindo cargos, emendas, e promessas.

Metade da bancada capixaba – formada por dez deputados – na Câmara Federal não acredita que o deputado Maia (DEM-RJ), venha a substituir o presidente Michel Temer na Presidência da República.

Michel Temer enfrenta com tranquilidade, pela segunda vez, um processo que pede seu afastamento do Planalto. Caso não obtenha votos suficientes para se manter no posto, será afastado por 180 dias e substituído por Maia.

Mas tudo caminha para dar certo. Na CCJ o relator Bonifácio de Andrade já deu parecer contra o andamento do processo. O que o ex-PGR Rodrigo Janot fez foi fortalecer o Legislativo perante um Executivo debilitado.

Se 342 deputados votarem, em plenário, favoráveis à denúncia, Temer terá que se afastar por seis meses para se defender durante o julgamento que acontecerá no Supremo Tribunal Federal (STF).

Devido a essa fragilidade do peemedebista, surgem informações de que Maia estaria articulando a sua ida para o cargo de presidente, o que ele nega. “Sirvo mais ao país como presidente da Câmara”, afirmou em entrevista a Band.

Para os deputados do ES tudo indica que Maia não esteja mesmo tramando a queda de Temer para assumir o principal cargo político do país.

Os deputados Evair de Melo (PV), Jorge Silva (PHS), Lelo Coimbra (PMDB), Norma Ayub (DEM) e Paulo Foletto (PSB) tem esse entendimento.

Todos os cinco entrevistados – com exceção de Lelo Coimbra – votaram contra Temer quando da votação da primeira denúncia em que o presidente era acusado de “corrupção passiva” e foi absolvido.

“Acho muito pouco provável. O Rodrigo [Maia] está tendo um posicionamento, não de proteção, mas de [muita] parceria com o governo [Temer] e sem criar dificuldades”, analisou Jorge Silva.

Já o deputado Evair de Melo considerou que há alguma chance do presidente da Câmara substituir Temer. “A luz da lei sim [é uma hipótese]”, comentou.

Aliado
O deputado e líder da maioria, Lelo Coimbra, acredita que Rodrigo Maia seja um importante aliado do governo Temer.

“Eu acredito que o ambiente construído nesta segunda denúncia a deixa mais frágil do que [foi] a primeira. Nesse momento a expectativa é que o processo final se materialize da mesma forma, ou melhor, do que foi na primeira votação”, falou Lelo.

“Eu acho que o Rodrigo [Maia] se comportou na primeira [denúncia] com muita dignidade, assim como também [se comporta nesta segunda denúncia] numa função difícil num momento como este”, complementou o peemedebista.

Previsão legal
Já a deputada Norma Ayub afirmou que se vier acontecer o afastamento de Temer por meio da nova denúncia, a posse de Maia como novo presidente da República é uma previsão legal e constitucional.

“A Constituição Federal [prevê que] o presidente da Câmara assuma a Presidência da República. O STF encaminhou à Câmara, sem análise prévia, a denúncia do [então] procurador-geral, [Rodrigo] Janot, contra o presidente [Temer]”, comentou Ayub.

“A Comissão da Câmara se manifestará sobre a mesma, recomendando a sua aprovação ou rejeição, pelo plenário. Desta forma, vejo com naturalidade e legalidade da rejeição ou aprovação da abertura de inquérito contra o presidente da República e, neste caso, a posse [como] presidente da República, do presidente da Câmara Rodrigo Maia”, observou a parlamentar do DEM.

Maia não é Cunha
Por sua vez, o deputado Paulo Foletto disse que não vê em Rodrigo Maia “nenhum sentimento” como aqueles que o ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), fez com a ex-presidente Dilma Rousseff.

“Eu não vejo esse perfil no Rodrigo. Ele é um cara que tem uma serenidade e uma franqueza muito maior que o Eduardo Cunha. Ele não é uma pessoa dissimulada. Não vejo ele ter esse tipo de comportamento”, disse Foletto.

“Eu acho que o presidente Temer, o PMDB e a quadrilha irá continuar usando as armas que tem: emendas e cargos. E [assim] deverá ter sucesso na não sequência do processo [contra o Temer]. Mas não será com votos meus e nem com os de meus colegas [do PSB], mas acho que ele [Temer] vai se livrar novamente”, avaliou o socialista.

O deputado Hélder Salomão (PT) falou por meio de sua assessoria que não comentaria a possibilidade de Maia substituir Temer.

Por Humberto Azevedo e Marcos Rosetti