Governo Bolsonaro: Sem espaço para os espertos

BRASÍLIA -AGENCIA CONGRESSO – Alguns políticos que apoiaram ‘interessadamente’ a candidatura do então deputado federal Jair Bolsonaro em 2018- porque sabiam que seria a aposta do momento –  estão até hoje a ver navios.

São políticos que costumam ‘colar’ na imagem de quem vai ganhar para obter vantagens políticas. Mas quebraram a cara. Perderam a eleição e ainda ficaram desempregados. Acharam que teriam cargos de destaque no governo, mas sequer integram o segundo escalão.

É o caso de dois capixabas, ex-senador Magno Malta (que apoiou todos os ex-presidentes desde a redemocratização) e ex-deputado Carlos Manato, que mesmo após cumprir quatro mandatos de federal, nunca se destacou no Legislativo com projetos relevantes.

Alguns foram vetados pela ficha corrida, outros pela ala militar que assumiu poder no governo Bolsonaro. Outro descartado foi o ex-deputado Alberto Fraga do DEM. Era amigo de Bolsonaro. Hoje critica o capitão do Planalto. Chegou a ser cotado para ministro mas a pasta não saiu do papel.

A demora em definir sobre a criação de um ministério específico para cuidar da Segurança Pública, intenção expressada pelo próprio presidente, tem sido motivo de irritação de Fraga.

Alguns defensores da nova pasta, que seria desmembrada do Ministério da Justiça, avaliam, nos bastidores, que o presidente não demostra a mesma disposição que teve, ao recriar o Ministério das Comunicações, em agradar o Centrão, dando o cargo de ministro ao deputado Fábio Faria.

Aliados também apontam que um dos cotados para a possível pasta, o ex-deputado Alberto Fraga (DEM-DF), amigo do presidente, possa ficar sem o cargo, recebendo o mesmo tratamento que o ex-senador Magno Malta (PR-ES) teve na montagem do governo.

Malta foi um dos mais fieis e espertos bolsonaristas na campanha e contava que seria ministro de Direitos Humanos. Para a pasta, Bolsonaro escalou a ex-assessora do aliado no Senado Damares Alves.

Manato foi indicado para um cargo de terceiro escalão na Casa Civil mas não durou seis meses. O então ministro Onyx Lorenzoni deu lhe um pé na bunda sem direito a reclamação.

Nesta semana, a substituição do líder do governo na Câmara, Vitor Hugo, trouxe de volta o assunto. O deputado foi destituído da função, que foi repassada ao deputado Ricardo Barros (PP-PR), mais um agrado de Bolsonaro ao Centrão.

FRAGA ACREDITOU QUE SERIA MINISTRO, COMO MAGNO

Em seguida, a possibilidade de o ex-líder ser salvo por um cargo no Executivo passou a ser considerada como “saída honrosa” para o parlamentar, considerado o mais “bolsonarista raiz” de todos os defensores do presidente.

No caso de Hugo era uma exigência do Centrão. Como líder era muito fraco. Já Magno e os demais foram descartados por ‘incompatibilidade ideológica’.

Fraga se ressente de a pasta não ter sido criada na formação do governo, ainda no período da transição. Para ele, a fusão com a pasta da Justiça foi uma “lambança” do atual ministro da Cidadania, Onyx Lorenzoni (DEM-RS), que foi ministro-chefe da Casa Civil e coordenador da equipe de transição.

(Com informações do Metrópoles)