Porque acontece justamente onde seria o lugar mais isento de sexo? 

Porque com crianças e jovens principalmente homens? 

Porque este crime bárbaro é tratado apenas com um puxão de orelha nos padres, bispos e cardeais? 

Há quantos anos ou séculos acontece isto na história desta igreja? 

Quantos abusadores ou estupradores estão ainda encobertos? 

Qual a porcentagem que veio à tona, 1, 10 ou 20%? 

Celibato é a condição que a pessoa se coloca abdicando o casamento e relações sexuais com outra. 

Poderia nem prosseguir no texto pois apenas as perguntas seriam o bastante. Mas vejo um ponto interessante sobre o celibato clerical católico. Que em tese pode ser um refúgio para os autoexcluídos por traumas sexuais da infância.

Imaginando uma criança que sofreu abuso sexual e ou se depara aos 14 anos com a confusão emocional relacionada à opção sexual, oculta dos pais e familiares, com medo de revelar e ser condenado por um pai autoritário ou ausente a ainda se depara com uma tendência a se tornar um homossexual e ter que enfrentar os conceitos sociais que estão dentro de sua consciência. Não são todos que possuem coragem de assumir, até mesmo hoje em dia onde a sociedade está mais tolerante, imagine 50 anos atrás, 100, 200. 

Exercendo a empatia, se você leitor colocar-se no lugar desta criança com o peso da sociedade hipócrita sanguinária nas costas, encurralada em um quarto escuro de sua mente, se julgando e se condenando. Se sentindo culpado e causador de uma decepção ao pai. Sem saída alguma na sociedade e até mesmo na sua própria casa nos braços de sua família, encontra-se uma porta que poderia salvar de todo este inferno que é o seminário para a formação de padre. 

Uma ilha fora do mundo, protegida, abençoada, onde se tem paz segurança, onde se fala de Deus, se pratica a bondade. Sexo lá não existe. Desta forma, ele sairia ainda com a família se orgulhando de ter um filho na formação de um padre. 

No particular, tenho dois amigos, um homem homossexual que seguiu este caminho, o seminário, procurando este abrigo exatamente pelos motivos escritos a cima. Mas, por acabar se envolvendo com um padre segundo ele, pediram para que se afastasse de lá. Também uma amiga que foi estuprada aos 10 anos e depois aos 14 anos e procurou o convento para fugir deste mundo, que também depois de um tempo optou por encarar a terra. 

Alguns dos exilados no celibato acabam por seguir a profissão, mas depois de se tornarem adulto e com nome respeitado, se permitem aos prazeres da carne. Acho natural no ser humano a busca do sexo e com isto vem o amor mais puro e lindo a união entre duas criaturas na vida. Mas, até então, em uma relação com pessoas adultas, pois com crianças é um crime dos mais sujos, horrendo, uma doença, é como um vampiro que para seu prazer suga o sangue e mata a criança na sua inocência. 

Aqueles que estão em outro extremo do sexo e abominam por traumas e acaba por definir o rumo de sua vida para fugir, se distanciar, pode acabar muito próximos dos que têm o sexo como meio de vida nos dois extremos do círculo da vida que se fundem, aqueles que fogem e aqueles que buscam estão lado a lado. 

Não imagino a percentagem que são destas vítimas da sociedade na infância, que depois procuram o celibato e, ao se tornarem adultos, vestem a batina e revida o que sofreram como crianças indefesas de abrigos de menores ou nos seminários. 

Acredito que a maioria vai ao seminário por missão e dom se eximindo do corpo e focando na alma. 

Embora frequento outras religiões com muito prazer e respeito, mas sinto que a igreja católica é minha casa pois nasci nela e os padres são pais no pé da palavra. Vejo os padres com muito respeito imaginando neles uma vida dedicada a fazer o bem a humanidade. Mas os que fizeram algum mal no seu particular da vida, pelo menos eu fiz minha parte seguindo na minha inocência ao ver um homem de batina com respeito e quero continuar assim. 

 

Rosário Casalenuovo é colunista de vários jornais e Dentista. Professor há mais de 30 anos, formou mais de 2000 alunos na principais faculdades do Brasil.