Tabata Amaral, Deputada Federal pelo PDT

BRASÍLIA – “O caminho que eu percorri é muito mais longo do que de muita gente que chegou aqui”, afirma a deputada do Partido Democrático Trabalhista (PDT-SP), em entrevista à AFP, em Brasília.

Aos 25 anos, Tabata Amaral ocupa uma das 513 cadeiras no Congresso Nacional. Vinda de uma cidade pobre no interior de São Paulo, a jovem parlamentar é considerada uma das apostas da centro-esquerda no Brasil.

Tabata ganhou notoriedade na mídia no último mês de março, quando repreendeu o então ministro da educação, Ricardo Velez.

Em um trimestre não é possível que o senhor apresente um Power Point com dois, três desejos para cada área da educação. Cadê os projetos? Cadê as metas? Quem são os responsáveis?“, questionou-o na Comissão de Educação, antes de pedir sua saída.

Vélez, um filósofo conservador, já estava balançando no cargo há semanas e acabou demitido dias depois pelo presidente Jair Bolsonaro.

Para Amaral, suas palavras, viralizadas nas redes sociais, expressaram a “angústia” dos brasileiros diante das “cortinas de fumaça” do atual governo, que “não faz nada prático (…), corta orçamentos e prioriza questões ideológicas”.

Desde muito cedo viu na educação uma forma de escapar das dramáticas estatísticas de drogas e criminalidade dessa região, que terminaram com a vida de seu pai e de vários amigos e vizinhos.

Nos estudos, sempre teve afinidade com matemática, e foi assim que conseguiu uma bolsa para estudar em uma escolar particular na capital paulista. Ganhou dezenas de medalhas em concursos nacionais e internacionais.

Seus esforços a levaram a ganhar uma bolsa de estudos no exterior. Em 2016, após se formar na Universidade de Harvard, ela decidiu voltar a São Paulo onde se engajou em uma ONG voltada para a área educacional.

Em um plenário tradicionalmente elitista e com forte tendência conservadora desde a eleição de Bolsonaro, Tabata se faz cada vez mais relevante em um cenário predominantemente masculino (são 77 deputadas de 513 parlamentares ao todo).

“Nos primeiros dias queriam me proibir constantemente a entrada e me perguntavam se eu era deputada federal de verdade, e não estadual. E no plenário já me interromperam para me perguntar se eu era casada ou solteira, me perguntam se sou dona de uma grande empresa, se minha família é importante. Tudo para saber como alguém como eu veio parar aqui”, explica.

“A Câmara dos Deputados não está acostumada às mulheres jovens e da periferia, creio que isso é muito evidente, é como se tivesse entrado um corpo estranho e o organismo quer expulsá-lo”

Amaral pensa que “os dois lados precisam da renovação. Todo mundo fala que a esquerda está velha, que não tem novos líderes, mas a direita tem? O centro tem?”, pergunta a jovem que prefere se definir como “progressista”.

“O espectro ideológico democrático não preparou novos líderes e ficou isolado no poder”, afirma, fazendo referência aos partidos que dirigiram o país desde o fim da ditadura militar (1964-1985).

Amaral não participa da campanha que exige a libertação de Lula, assim como seu partido, PDT.

“Para quem vem da periferia significa muito ter tido Lula como presidente, mas me entristece que nossa política tenha estado tão marcada pela corrupção nestes últimos anos”, afirma.

Em sua curta vida legislativa tem mostrado certo pragmatismo ao se posicionar, por exemplo, a favor de uma alternativa ao projeto de reforma da Previdência do governo, ao invés de votar contra, o que lhe valeu críticas de setores da esquerda.

Com informações do UOL